Tendências da Indústria
O cenário de ameaças continua a evoluir e em 2023 a tendência é que as empresas tenham que enfrentar novas táticas de ameaças. As equipes de CIO e CISO estão sendo solicitadas para superar desafios significativos enquanto trabalham para gerenciar iniciativas críticas de negócios, como garantir o trabalho de qualquer lugar, permitir a aceleração digital, ficar à frente do aumento do risco cibernético e apoiar as metas de sustentabilidade. Elas devem fazer isso enquanto gerenciam uma escassez global de habilidades. O Field CISO da Fortinet, Jaime Chanagá, compartilha dicas e estratégias sobre o atual ambiente de segurança cibernética, além das melhores práticas para os CISOs fortalecerem sua postura de segurança para 2023 e além.
Como você vê o atual ambiente de cibersegurança? O que é mais importante para os clientes?
Jaime Chanagá (JC): Em 2022 tive o privilégio de viajar para mais de dez países da América Latina, Caribe e Canadá, para falar com altos executivos e organizações de diversos setores da indústria. A maioria dos executivos C-level, incluindo CEOs, CFOs e membros do Conselho, possuem as mesmas preocupações que CISOs, CSOs e CIOs. As três principais preocupações para seus negócios são 1) resiliência de negócios, 2) capacidade e maturidade em segurança cibernética e 3) desafios de recursos humanos para adquirir, treinar e reter talentos em segurança cibernética.
O atual ambiente de segurança cibernética também está na mente de muitos clientes. Eles estão preocupados com o número crescente de ataques cibernéticos e a natureza evolutiva das ameaças devido à transformação digital. Além disso, durante a pandemia, os clientes transformaram rapidamente suas organizações em prol da continuidade de seus negócios e alguns deles estão ainda aprendendo os sobre desafios adicionais que agora enfrentam como resultado dessa mudança.
Ouvimos frequentemente que o risco cibernético está aumentando, você concorda?
JC: Sim, no geral, os riscos de segurança cibernética estão aumentando. Vamos comparar, por exemplo, a adoção de novas tecnologias, como a inteligência artificial (IA). Embora algumas organizações ainda não tenham adotado a tecnologia baseada em IA, os adversários cibernéticos a adotaram e a estão usando para desafiar as atuais defesas de segurança cibernética. Dito isso, é importante que as organizações considerem a adoção de IA para se defenderem contra ataques cibernéticos cada vez mais sofisticados.
Além disso, os criminosos agora têm mais maneiras de penetrar no ambiente de uma organização devido à adoção cada vez mais extensiva do trabalho “de qualquer lugar” e do aprendizado à distância. Por exemplo, algumas aplicações são projetadas para serem 100% nativas da nuvem e armazenarem dados em vários ambientes não controlados. Além disso, às vezes os sensores de IoT são colocados em infraestrutura crítica sem a segmentação adequada.
Mais importante ainda, o risco cibernético está aumentando devido à falta de treinamento e conscientização em segurança para funcionários remotos, o que pode deixá-los vulneráveis a ataques de phishing. As organizações devem considerar a implementação de programas de treinamento e conscientização para seus funcionários para garantir a segurança de pessoas, dados e dispositivos.
Qual é a solução cibernética que realmente fez a diferença para clientes e parceiros em 2022?
JC: As organizações que investiram em inteligência humana e serviços e soluções baseados em IA estão encontrando o melhor valor para suas organizações. Recentemente, quando converso com as empresas, elas estão especialmente interessadas em Digital Risk Protection Services (DRPS). Muitos CISOs estão sob pressão para assumirem riscos quando se trata de transformação digital, mas não sabem se a plataforma de segurança que possuem pode realmente protegê-los.
Qual solução de segurança cibernética você recomenda que os clientes considerem para 2023?
JC: O investimento em soluções sofisticadas de detecção é algo que falta no roteiro de segurança para 2023. Em 2022, muitas organizações enfrentaram riscos cibernéticos crescentes resultantes da convergência de redes de TI e de OT (tecnologia operacional). Dito isso, o investimento em soluções como detecção e resposta de rede (NDR) pode permitir que as organizações identifiquem rapidamente anomalias, analisem ameaças emergentes em tempo real e automatizem respostas para mitigar ataques cibernéticos. Empresas com agilidade cibernética podem defender seus ambientes de TI e OT contra ameaças existentes e emergentes.
Outra solução que peço aos clientes que levem em consideração é a abordagem Security Access and Service Edge (SASE) para renovar sua tecnologia de acesso remoto existente. Atualmente, a maioria das empresas depende apenas de Verified Private Networks (VPN) para fornecer acesso remoto, e algumas das empresas mais avançadas podem incorporar proxies simples, como Security Service Edge (SSE). No entanto, o uso misto de soluções pontuais cria complexidade de gerenciamento e problemas de desempenho de rede e é frequentemente inadequado para resposta e correção rápidas quando ocorre um ataque. Um verdadeiro SASE de fornecedor único deve garantir não apenas a segurança, mas também o desempenho do acesso à rede. Isso pode ser alcançado utilizando uma plataforma consolidada que fornece SSE, Zero Trust Network Access (ZTNA) e Cloud Access Security Broker (CASB) para proteger no nível de controle do endpoint. Essa abordagem garantirá visibilidade de ponta a ponta para fornecer uma resposta rápida no caso de um incidente de segurança.
Pode dar um exemplo de solução que muitos clientes podem não ter considerado, mas deveriam?
JC: Dado que a maioria das organizações ainda está enfrentando escassez de talentos para cibertrabalhadores qualificados, para organizações que não possuem seu próprio centro ou equipe interna de operações de segurança, eu recomendaria o SOC-as-a-Service (SOCaaS). Sem uma força de trabalho qualificada, com especialistas em resposta a incidentes, uma organização estará em grande perigo ao enfrentar um ataque cibernético.