Negócios e Tecnologia

Seres humanos, a nova geração da IoT?

Por Marcelo Mayorga | 21/01/2021

Há anos a Internet das Coisas (IoT) vem transformando tudo, especialmente a área da Saúde. E hoje vemos que nós, seres humanos, estamos progressivamente nos tornando mais uma "coisa" da IoT. Um artigo da revista Business Insider descreve as tecnologias de monitoramento remoto de pacientes (RPM) e como essas soluções estão ajudando a diminuir a taxa e os riscos associados às readmissões hospitalares, ao mesmo tempo em que melhora a experiência e a satisfação do paciente.

A que distância estamos dos Centros de Operações de Saúde (HOCs) que monitoram nossos parâmetros de saúde 24x7, imitando os Centros de Operações de Segurança de Rede existentes nas empresas? O historiador e filósofo israelense Yuval Noah Harari identifica o COVID-19 como um catalisador que poderia acelerar esse processo de monitoramento. No entanto, ele nos adverte que, em vez de ser promovido pela indústria da saúde, ele será promovido por governos que buscam alcançar o que ele chama “de vigilância sob a pele”: "agora o governo quer saber a temperatura do seu dedo e a pressão arterial do seu corpo" (The World After Coronavirus, Financial Times).

Seja qual for o motivo, essa nova realidade apresentará um desafio adicional ao setor de segurança cibernética. Ao contrário do que o senso comum possa indicar, os dados relacionados à saúde das pessoas são mais valiosos no mercado negro do que os dados do cartão de crédito. De acordo com o Relatório de Segurança Global de 2018 da Trustwave, o primeiro poderia obter US$ 250 por registro, enquanto o último "somente" valeria US$ 5,4. Se analisarmos, faz sentido. Os dados médicos podem ser usados ​​para atividades como falsificação de receitas, aquisição de medicamentos para revenda, preenchimento de solicitações de reembolso de planos de saúde ou até chantagem. E o pior de tudo, os registros médicos não podem ser desassociados da pessoa. Embora possamos substituir nosso cartão de crédito com uma simples ligação telefônica para o banco, não podemos fazer muito para mudar nossas doenças, nosso estado de saúde ou os medicamentos que precisamos para nos tratar.

O número de sensores de saúde e dispositivos de medição aumentará drasticamente nos próximos anos, assim como a quantidade de dados relacionados aos registros médicos. Eles estarão em toda parte, não apenas em hospitais e centros de saúde. A proteção dos dados do paciente exigirá que a segurança cibernética se torne onipresente, de alto desempenho e inteligente o suficiente para se adaptar e aprender sem a necessidade de intervenção humana. A consolidação das camadas de infraestrutura e de segurança é essencial para que isso ocorra. Isso permitiria a inspeção das informações transmitidas por todos os dispositivos – a aplicação real dos conceitos de microssegmentação e Zero Trust - enquanto minimizaria os estoques de informações. Ambos são pré-requisitos para integração e automação, algo que precisamos urgentemente se queremos proteger nossas comunidades das ameaças mais sofisticadas da atualidade. Ameaças que terão como alvo, cada vez mais, os dados que são possivelmente os mais confidenciais e sensíveis, aqueles relacionados à nossa saúde.